Leucemia Felina - FeLV

 

É causada por um retrovírus, transmitido através de mordidas, lambidas ou da mãe para o filhote via útero ou amamentação. Após a infecção pelo vírus, a habilidade do sistema imune do animal determinará a forma clínica da doença (que são quatro) e influenciará nos resultados dos testes para detecção dos antígenos virais.

O vírus da Leucemia Felina causa várias alterações proliferativas e degenerativas. Os sintomas variam de acordo com os órgãos envolvidos.

O vírus é pouco resistente ao ambiente, desaparecendo em uma semana.

Deve ser feito teste diagnóstico para todo gato novo introduzido num plantel e a vacinação é indicada a todos os gatos expostos aos riscos de infecção.

Há 4 formas clínicas da doença:

a) Neutralização Viral: o gato apresenta uma resposta imune, deixando o animal resistente a futuras infecções por um período de tempo. Ocorre em 30% dos casos. PCR e ELISA são positivos no início, depois tornam-se negativos.
b) Viremia: o vírus progride no organismo através das 6 fases da doença. Os testes tornam-se positivos na seguinte ordem: PCR, ELISA (sangue), ELISA (saliva). Ocorre em 40% dos casos.
c) Latência: o animal não produz imunidade, mas também não se torna virêmico. O vírus se esconde no genoma do gato e nenhuma replicação ocorre. Este é um estágio que dura por volta de 30 meses, quando então progride para neutralização ou viremia. Ocorre em 30% dos casos. Teste PCR é positivo e os outros são negativos.
d) Portador São: o vírus fica no tecido epitelial e se replica, mas não deixa as células devido è produção de anticorpos. O teste PCR e ELISA (sangue) são positivos enquanto o ELISA (saliva) é negativo.

Diagnóstico:

a) Sinais Clínicos: são variáveis. Incluem dificuldade para respirar, apatia, perda de apetite, febre, gengivite, estomatite.
b) Exame Clínico: mucosas anêmicas, efusão pleural (cavidade torácica), anormalidades oculares, órgãos (rins, baço, fígado) aumentados, massas intra-abdominais.
c) Análise da Bioquímica Sérica (exames realizados no sangue): anemia não-regenerativa, aumento da uréia e creatinina, aumento das enzimas hepáticas e do bilirrubina.
d) Teste para Detecção de antígenos (vírus): serão positivos dependendo da forma clínica da doença e dos órgãos envolvidos.
e) Análise do Líquido Pleural

Observação: Devido à variedade de sintomas, qualquer enfermidade séria de um gato deve levar à suspeita da ocorrência da Leucemia. No entanto, um resultado positivo não significa necessariamente que a doença em curso seja a Leucemia Felina.

Tratamento:

a) Transfusão Sanguínea .
b) Uso de quimioterápicos como vincristina e ciclofosfamida.
c) Interferon via oral em doses baixas: estimula imunidade e melhora a qualidade de vida.
d) Prednisolona: aumenta o apetite e diminui o tamanho de possíveis massas abdominais.

Observação: Pode ocorrer remissão dos sintomas, mas não cura. O vírus permanece no organismo do animal. São possíveis recidivas e o gato pode contaminar outros animais.

O prognóstico é variável. O gato pode ficar assintomático por vários anos, havendo possibilidade no entanto de transmitir a doença. Animais sintomáticos têm prognóstico reservado. Os que apresentam desordens proliferativas vivem em média 6 meses, com tratamento agressivo com quimioterápicos.

 

Fonte: The Feline Patient
by Gary D. Norsworthy (Author), Sharon Fooshee Grace (Author), Larry P. Tilley (Author), Mitchell Crystal (Author)

Tradução e Resumo: Dra. Ana Paula Vieira da Costa - Médica Veterinária Associada AMACOON