Revista Science Vol.XXII, publicada em 1893.

 

Tradução da Nota da Revista Science, Vol. 22, No. 559. (Oct. 20, 1893),

página 220:

 “Gatos-guaxinins”

Falando em gatos, vi recentemente numa casa particular em Chicago dois gatos cujos donos denominavam “gatos-guaxinins”. Eles foram obtidos nos limites de uma floresta às margens do Lago Moosehead, e alegava-se que eles eram híbridos, ou descendentes de híbridos, do gato doméstico com guaxinim. Eles eram maiores que gatos comuns de casa e tinham uma fisionomia muito assemelhada a de guaxinins, assim como caudas peludas sempre arrepiadas. Um tinha o hábito de subir em algum lugar alto e repousar todo espreguiçado e seus movimentos, quando apressado, parecidos com o galope de um guaxinim.
As garras eram retráteis e o pé digitígrado*. Eu não examinei a dentição, mas não encontrei nada, exceto a aparência, que indicasse um parentesco com guaxinins. Eles se inter-cruzavam com gatos comuns. Poderia alguém me informar algo a mais sobre eles?
    
J.N. Baskett
México, Montana, 28 de Agosto

N.T. *Padrão dos pés de animais que se apóiam sobre os dedos, como cães e felinos em geral, mas não procionídeos como o guaxinim, cujo padrão é plantígrado, como o nosso.

 

Tradução das Notas da Revista Science, Vol. 22, No. 563. (Nov. 17, 1893),

página 279, 1:

“Gatos-guaxinins”

Vendo a nota do Sr. J.N. Baskett na página 220 do volume corrente da Science, a respeito dos gatos-guaxinins, eu ouso admitir que eu fiquei abismado com a extraordinária aparência de um destes gatos de propriedade do Sr. Will Carleton, o qual o mantinha consigo nas Montanhas de Catskill, neste verão. Eu perguntei a ele acerca do gato e este me contou a mesma fábula relatada pelo Sr. Baskett mas, na seqüência, ele disse que a história era, obviamente, incorreta e que na sua opinião, esta peculiar raça* de gatos do Maine descende de alguma raça** de Persa ou Angorá trazida ao Maine pelos primeiros colonos franceses do Canadá. Eu considero que seja uma especulação da parte do Sr. Carleton, mas esta parece razoável para mim e caso vocês não recebam nenhuma explicação satisfatória em resposta à pergunta do Sr. Baskett, sintam-se livres para utilizar esta.

L.O. Howard
Washington, Capital, 9 de Novembro     

N.T. Em inglês existe o termo race* aplicado a um morfotipo, ou seja, um padrão morfológico natural de um animal de alguma região, bem como, o termo breed** que define um padrão morfológico criado ou selecionado pelo homem.

página 279, 2:

“Gatos-guaxinins”

Em resposta à pergunta do Sr. J.N. Baskett a respeito dos “gatos-guaxinins” no vosso número de 20 de Outubro de 1893, eu diria que esta hibridação de animais tem sido conhecida há anos, mais particularmente no Estado do Maine. O erro de atribuir a estes vira-latas o resultado da cruza entre nosso felino doméstico e o guaxinim, Procyon lotor, é tão comum quanto ridículo; pela lógica de que animais de famílias* diferentes não podem se intercruzar. Tal suposto é tão ridículo quanto a recorrente história, entre os ignorantes, de que (gato) corujas dão à luz aos seus filhotes de forma vivípara**.
O tema dos “gatos-guaxinins”, algumas vezes chamados de gatos-mula, tem sido repetidamente discutido em vários artigos e, atualmente, em geral, aceita-se que este híbrido é o resultado do acasalamento do nosso bichano malhado doméstico com algum felino Oriental – provavelmente o Angorá. Este cruzamento apresentaria a longa e peluda cauda das espécies Orientais. Mas o Sr. Baskett erra ao supor que estes animais sejam plantígrados***, e se ele segurar firmemente um crânio, o que este poderá facilmente fazer, verá que a dentição é pronunciadamente felina.
Estes gatos são bastante comuns em partes da Nova Inglaterra e podem ser adquiridos por uma quantia bem razoável de acordo com as demandas e disponibilidades no mercado de gatos. Poucas pessoas são capazes de distinguir genuínos Angorás destes híbridos, e muitos são os compradores inocentes que pagaram elevados preços por um comum “gato-guaxinim”, que não vale mais de dois dólares.

Morris Gibbs****

N.T. 1 O autor se refere às Famílias* Felidae e Procyonidae da Ordem Carnívora de mamíferos.
N.T. 2 O termo vivíparo** refere-se ao nascimento da prole de forma direta como nos humanos. Um padrão alternativo na natureza é o nascimento ovíparo, onde a incubação do feto ocorre em um ovo. O autor ironiza sugerindo o termo “gato-coruja” devido ao caráter folclórico inverossímil semelhante entre as duas histórias.
N.T. 3  Aparentemente o autor se confundiu com a afirmação original feita por Baskett de que os pés do gato seriam plantígrados***. Em sua nota, Baskett afirma acertadamente que são digitígrados, como se esperaria de um gato.
N.T. 4  O autor Morris Gibbs*** era um conhecido ornitólogo, numa época em que o mundo era “menor” e naturalistas opinavam em temas diversos mesmo se tratando de grupos zoológicos distintos do seu objeto de interesse. 

 

 

Fonte: Revista Science - Vol.XXII - 1893

Tradução: Fernando L. Sicuro